Mensagem da Direcção

 

 

Um Olhar para Trás: Um Crescimento Lento mas Saudável

 

Após uma gestação apenas um pouco mais lenta que a de uma criança, a SPEE nasceu na histórica Assembleia Geral de 19 de Fevereiro de 2010, na FEUP, que elegeu os seus primeiros Corpos Sociais. Com um ano e meio de vida, no momento em que adquire o seu Documento de Identidade público (a página na Internet), deitamos um olhar para trás e verificamos, com alívio e satisfação, que a SPEE tem crescido lenta mas saudavelmente.

Com efeito, a SPEE dispõe já de um bom conjunto de instrumentos e condições base de trabalho:

i) legais, de secretariado (no Porto), de imagem gráfica, contabilísticas (TOC em Lisboa) e financeiras (jóias e quotas de sócios aprovadas nas AG de Set/2010 e Maio/2011, Orçamento de 2011 aprovado na AG de Maio/2011, boa execução de cobranças e contas equilibradas), e uma rotina eficaz de funcionamento da Direcção (com membros no Porto, Coimbra e Lisboa) baseada em conferências skype;

ii) um núcleo completo, rico e diversificado de sócios fundadores institucionais (20) e individuais (200) (campanha encerrada em Jul/2011);

iii) cinco Grupos de Trabalho temáticos em funcionamento, os três primeiros desde Jan/2011, e o quarto e quinto recém constituídos (em Out e Nov/2011);

iv) uma Newsletter trimestral, desde Fev/2011;

v) um interessante leque de contactos com instituições congéneres (e.g.: IGIP, IEEE Education Society, ASIBEI, ABENGE, SEFI, COPEC), nacionais e internacionais, e algumas parcerias em eventos internacionais; e

vi) uma página na Internet (desde Nov/2011), como se refere acima.

Realizou também algumas actividades de formação e divulgação que tiveram muito bom acolhimento, dentro e fora da SPEE, das quais destacamos: os Workhops “Critical Thinking” (Jun/2010, Porto e Guimarães) e “Novas Tecnologias Baseadas em Realidade Virtual e Jogos para Educação em Engenharia: Usos e Oportunidades” (Out/2010, Porto); sessões específicas do Congresso Luso-Moçambicano de Engenharia 2011 (Set/2011, Maputo) e da VII International Conference on Engineering and Computer Education (Set/2011, Minho), e o SPEE-IGIP Flash Moment da 1st World Engineering Education Flash Week (Set/2011, Lisboa); e a colaboração com a conferência Experiment@Portugal (Nov/2011, Lisboa).

E tem ainda em gestação, entre outros possíveis, dois importantes projectos de intervenção: um curso de formação pedagógica de docentes de engenharia, com acreditação internacional; e a 1ª Conferência da SPEE, cuja Call de candidaturas para a organização está prevista para a AG de Fev/2012.

 

Um Olhar para a Frente: Desafios e Perigos

É tempo de olhar para a frente, enunciando esperançadoramente desafios a alcançar e prevendo com realismo os perigos mais temíveis a sortear pela SPEE.

Temas a debater e problemas a resolver no campo da educação em engenharia não faltam. Sirvam, como exemplo, os seguintes:

1. Métodos pedagógicos:

a) As aulas: clássicas (teóricas, teórico-práticas, práticas) e outras (e.g.: tutoring, problem based learning, project led engineering education);

b) A avaliação;

c) As ideias pedagógicas por detrás do Processo de Bolonha: como operacionalizar as que são aproveitáveis, e como evitar os efeitos nocivos das outras (se existirem)?;

d) Insucesso escolar;

e) Potencial das novas ferramentas informáticas: plataformas web, e-learning, laboratórios remotos e virtuais, …;

f) Como proporcionar e avaliar competências transversais?;

g) Casos pedagógicos de sucesso.

2. A componente pedagógica na carreira docente (universitária e politécnica):

a) Como incentivar e avaliar a qualidade pedagógica?;

b) Relação ensino/investigação, actual e desejável: sinergética, nula ou concorrencial?

3. Papel e metodologia de selecção na admissão a cursos de engenharia.

4. Análise curricular dos cursos de engenharia:

a) Cursos de banda larga ou mais ou menos estreita;

b) Cursos de vários níveis e durações;

c) A formação matemática e físico-química de base.

5. Responsabilidade das escolas (universidades e politécnicos) no incentivo das actividades de engenharia mais inovadoras e de maior valor acrescentado nas empresas nacionais:

a) Envolvimento desejável de estudantes e professores em actividades de engenharia;

b) Colaborações possíveis de/com empresas e associações profissionais.

6. Diferenciação e sinergias desejáveis entre os ensinos universitário e politécnico.

Um primeiro desafio da SPEE é gerar reflexão isenta, profunda e útil sobre estes temas, ou congéneres, que possa depois incentivar, servir de base a, e orientar actuações acertadas dos actores, individuais e colectivos, que intervém na educação em engenharia no nosso país, na escola e ao longo da vida profissional.

Um segundo desafio da SPEE é alcançar relevância, interna, para os seus próprios sócios, e externa, para as escolas (estudantes, professores e órgãos de gestão), os engenheiros e as empresas, as autoridades e o público em geral, na medida em que intervém na, ou são afectados pela formação de engenheiros.

Um terceiro desafio da SPEE é conseguir manter, em permanência, um número de sócios activos suficiente (naturalmente, com uma possível e até saudável rotatividade de pessoas) para um cumprimento satisfatório da sua missão, de uma forma sustentável para os próprios, do ponto de vista da gestão das suas carreiras profissionais.

Dentre os perigos que é possível antever para o saudável desenvolvimento da SPEE, para além dos óbvios que vão anexos aos desafios supra, perigos e desafios, aliás, que se entrecruzam, parece-nos importante estar especialmente alertados para o da sua instrumentalização a quaisquer interesses mais ou menos mesquinhos, individuais ou corporativos, perigo que crescerá, evidentemente, com o aumento de relevância da SPEE.

Novembro de 2011

 

A Direcção

Teresa Restivo, FEUP

Luís Gomes, FCT/UNL

Jorge André, FCTUC